«Esto he o que eu tenho».
Cultura material nos testamentos de três cónegos da Colegiada de Guimarães (1465-1498)
DOI:
https://doi.org/10.82564/revistabracaraaugusta.v73i133.31Palavras-chave:
Baixa Idade Média, Clero, Cultura material, TestamentosResumo
Este artigo examina a cultura material dos cónegos de Guimarães no final da Idade Média, a partir da análise dos testamentos de Gonçalo de Carvalhais, João Álvares e Pedro Afonso. A crise interna na Colegiada de Guimarães na segunda metade do século XV não impediu a continuidade do enriquecimento pessoal dos seus cónegos, permitindo a construção de um património cujo propósito ultrapassava o mero conforto pessoal. Consignada nos seus testamentos, a sua cultura material engloba preocupações com a validação social da posse material, o significado simbólico e o destino dos seus bens, permitindo aceder não só ao quotidiano material destes clérigos, como também às suas redes de sociabilidade e valores partilhados. Através de uma leitura cruzada entre os bens testamentários e as representações sociais e identitárias inscritas nesses gestos finais, este estudo examina como a materialidade, enquanto sistema integrado de objetos, práticas e significados, foi mobilizada pelos cónegos como estratégia de perpetuação memorial e projeção identitária para além da morte.
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